O Autocuidado Virou Um Fardo? Desconstruindo a Pressão por Ser Perfeita

Será que banalizamos o auto cuidado?

O autocuidado deveria ser uma consequência natural do amor-próprio e de uma autoestima saudável. É aquele impulso intrínseco que nos leva a descansar quando o corpo pede, a nos movimentar quando precisamos liberar energia, ou a dizer “não” sem culpa quando algo não ressoa conosco. Deveria ser uma melodia suave em nossa rotina, não um tambor ensurdecedor de obrigações.

Mas, para muitas de nós, a realidade é bem diferente. Por que essa desconexão acontece?

Primeiro, porque nós, mulheres, fomos (e ainda somos) ensinadas que cuidar de si mesma é um ato egoísta. A narrativa social nos impulsiona a dar ao outro, a nos doar exaustivamente, e só então, se sobrar algo, talvez olhar para nós. Essa abnegação é frequentemente glorificada como bonita e honrosa.

Em segundo lugar, e talvez mais perigoso nos dias atuais, o autocuidado virou uma pressão. Ele se transformou em uma lista fixa de “rituais indispensáveis”, uma obrigação imposta, e isso tem pesado imensamente em nossos omões. Ficamos obcecadas em cumprir check-lists de autocuidado, muitas vezes sem a base fundamental do amor-próprio e da aceitação integral. O que era para ser um bálsamo virou mais um item a ser riscado, gerando ansiedade e frustração em vez de bem-estar.


Autocuidado Genuíno vs. Autocuidado Obrigatório: A Diferença Está na Intenção

É crucial deixar claro: não estou sugerindo que você abandone a manicure, o cuidado com o cabelo, os rituais deliciosos de corpo e mente que já fazem parte da sua rotina. Pelo contrário! A questão é: onde reside a sua intenção?

Perceba se o que você faz vem de um desejo genuíno do seu corpo e da sua alma, ou se é apenas mais uma obrigação, um item a ser riscado da lista. Esse cuidado vem de um lugar de amor-próprio ou de uma regra imposta por alguém, por uma tendência ou por uma imagem idealizada?

Pense criticamente:

  • De que adianta acordar às 5 da manhã para meditar ou se exercitar se você odeia cada segundo e passa o resto do dia exausta e de mau humor?
  • Qual o sentido de se esgotar na academia a ponto de perder toda a conexão com seu corpo e sua feminilidade, transformando o movimento em tortura?
  • O que significa tomar um suco verde todos os dias, se ele não faz bem para o seu corpo ou se você o ingere com ressentimento, apenas porque “deveria”?

Seu Corpo e Seus Desejos: A Verdadeira Bússola do Cuidado

É fundamental que você questione seus rituais de autocuidado. Reflita se eles realmente se encaixam no seu jeito de ser, na sua natureza individual. Lembre-se: nem tudo o que é considerado “bom” ou “ideal” para uma pessoa será bom ou ideal para você. O que funciona para a vizinha, a influenciadora ou a amiga, pode não ser o seu caminho.

Por isso, o ponto de partida é sempre o mesmo: Ame-se primeiro. Aceite-se primeiro. Conheça-se primeiro.

Permita que seu corpo e seus desejos verdadeiros aflorem, que sua intuição te guie para o que realmente nutre sua alma e seu ser. Só então, e a partir desse lugar de autoaceitação e autoconhecimento, sua rotina de autocuidado se tornará leve, verdadeira e completamente do seu jeito. Não será uma lista, mas um fluxo de carinho e respeito por quem você é.

Faz sentido? Espero, do fundo do coração, que sim. Que essas palavras tenham agregado um pouquinho de clareza e acolhimento ao seu dia. Sinta-se à vontade para comentar e compartilhar suas reflexões!

Mary Yoshida

Sou professora de yoga e psicóloga, especialista em equilíbrio emocional e hormonal para mulheres com mais de 40 anos. Acredito no poder do autoconhecimento e do movimento consciente como caminhos para uma vida mais leve, plena e conectada com a verdadeira essência feminina.

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